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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PRAÇA XV

A Praça Quinze de Novembro, ou simplesmente Praça XV é um logradouro público, situado no centro da cidade do Rio de Janeiro, próxima ao centro histórico da Praça Marechal Âncora, entre a Rua da Assembléia e o Beco dos Barbeiros.

Está localizada na região conhecida nos primórdios da ocupação das terras da cidade como Praia da Piaçaba. Foi denominada originalmente de Largo do Terreiro da Polé, Praça do Carmo, Terreiro do Paço, Largo do Paço. Em 18 de março de 1870 a Câmara da cidade deu-lhe a denominação de Praça de Dom Pedro II, com a República de imediato trocaram-lhe o nome para a denominação atual.

Paço Imperial em 1830.

Nos fins do século XIX eram oficialmente descritos os seus contornos e limites "pela Rua D. Manoel e Fresca, Praça das Marinhas, ruas do Mercado, Primeiro de Março, Sete de Setembro e Misericórdia".

Nela foi erguido o prédio do Palácio dos Governadores e da Casa da Moeda, futuras instalações do Paço Real e depois Imperial. As obras foram iniciadas por ordens do Conde de Bobadela, e terminadas em 1745, no governo de Gomes Freire de Andrade. Foi o primeiro imóvel da cidade a ter vidros nas janelas.

No governo do vice-rei D. Luiz de Vasconcelos foi construído o Chafariz do Mestre Valentim, que inaugurado em 1789 é até hoje um dos símbolos do local. Muitos pensam que o Chafariz está com defeito, quando na realidade estudos demonstraram que a água que expelia estava erodindo as esculturas e pedras, razão pelo qual foi desligado.

Até o início do regime republicano, ali estavam também a Capela Imperial (atual igreja de Nossa Senhora do Carmo da antiga Sé), aigreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, o convento do Carmo (prédio da Antiga Academia de Comércio, atual Universidade Cândido Mendes), razão que a região foi local de acontecimentos e solenidades significativos para a história do Brasil imperial, como casamentos, batizados, aclamações,coroações e entêrros.

Quando da morte da rainha Dona Maria I, em 1816, no antigo prédio do Convento do Carmo, o então Largo do Paço foi o palco onde se desenrolou o funeral real. Com os cariocas todos vestidos de pesado negro, o corpo saiu solenemente do Paço, para ser depositado no Convento da Ajuda. Dias depois aconteceram na praça e em outros locais determinados da cidade, as cerimônias protocolares da morte de um reinante, a única vez que foram executadas em todo o continente americano.

Quando foi feita em 1878, por ordem da Câmara Municipal, a nova numeração dos prédios da cidade, o serviço começou justamente no local, recebendo o Paço Imperial o número 7. Nela estava também em (1878), os prédio da Secretaria de Agricultura, da Agência Nacional de Colonização, a Praça do Mercado e a Estação Ferry, das barcas que navegam para Niterói.


Em 1888, foi defronte do Paço Imperial que ocorreram as maiores comemorações pela assinatura da Lei Áurea. No entanto logo depois, em 1889 com a Proclamação da República, foi o local de onde partiu a família Imperial para o exílio. O prédio foi transformado então, em repartição dos Correios e Telégrafos, sofrendo uma série de reformas que o descaracterizaram. Hoje inteiramente restaurado, é um centro cultural com livrarias e restaurantes e espaços para exposições.

Em 12 de novembro de 1894 foi solemente inaugurado o panteão do General Osório. Encimado por sua estátua equestre, fundida com os bronzes dos canhões apreendidos no Paraguai, uma homenagem da pátria brasileira a um dos hérois da Guerra do Paraguai. No entanto, nos fins do século XX, seus restos mortais foram removidos para Porto Alegre, capital de seu estado natal.

A Praça XV, até o ínicio do século XX, era o ponto principal de desembarque e entrada na cidade.

Em 10 de junho de 1965 foi inaugurada a estátua equestre do Rei Dom João VI, presente do povo de Portugal à cidade, por ocasião dos festejos do IV Centenário de sua fundação. Foi colocada no local onde teria desembarcado, em 1808. Esta estátua é da autoria de Salvador Barata Feyo, um reputado escultor português, natural de Moçâmedes (Angola) com larga obra espalhada por Portugal. Uma cópia de semelhante estátua encontra-se na rotunda do Castelo do Queijo (Praça de Gonçalves Zarco)), na cidade do Porto.

De acordo com instruções do escultor desta obra, ambas as estátuas deveriam estar voltadas uma para outra, como simbolismo e ligação entre a mesma pessoa (D. João VI) e os dois países (Portugal e Brasil). Essa mesma ligação profunda e desmentível ainda foi mais marcada ainda pela presença de um globo terrestre com a cruz de cristo por cima, que a figura de D. João leva na sua mão direita. A fazer crer em João Barata Feyo, "...o globo terrestre com a Cruz de Cristo, é um símbolo da História de Portugal que é a descoberta, a conquista, a navegação, ele leva a sua tradição de Rei Português, digamos que Portugal se caracteriza pela aventura que realizou, pela descoberta dos caminhos para a Índia, Brasil. […] Foi uma forma de congregar na figura de D. João VI toda a história de Portugal.".

Richard Bates, Largo do Paço, 1808. Em destaque a Igreja da Ordem Primeira de Nossa Senhora do Carmo e contígua a ela, a Igreja da Ordem Terceira.

Marc Ferrez, Igreja da Ordem Terceira do Carmo, 1870.

No local do antigo Mercado Municipal, ergue-se hoje o moderno prédio da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Na década de 1950 foi construída a Avenida Perimetral que ligando a avenida Presidente Vargas ao Aterro do Flamengo, atravessou o local, comprometendo seriamente a estética da Praça da XV.

Praça XV de Novembro na virada do século em mais um belo postal colorizado.

Praça XV de Novembro, Rio de Janeiro, c. 1890. Foto de Marc Ferrez.

O cais Pharoux (atual Praça XV, Rio de Janeiro, RJ) era porto para viagens nacionais e internacionais.



Eis o registro de um momento histórico. O momento do anúncio, em maio de 1888, no Paço Imperial, do fim da escravidão no Brasil.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PRAÇA TIRADENTES

A Praça Tiradentes é um logradouro localizado no centro do Rio de Janeiro. Tradicionalmente, é apontada como o antigo "Campo de Lampadosa", a praça é apontada erroneamente como sendo o local da execução de Tiradentes. Estudos recentes mostram que o alferes mineiro foi, na verdade, enforcado na esquina da Rua Passos com Avenida Passos, também no Centro do Rio. Dada a efervescência cultural do século passado, ficou conhecida por ser o "ponto cem réis" dos bondes que faziam retorno para o bairro da Muda.

Possui ao seu redor dois dos mais importantes teatros da capital fluminense: o Teatro Carlos Gomes e o Teatro João Caetano. Também a seu redor se localizam alguns estabelecimentos centenários que fizeram história, como a sapataria Tic-Tac (que criou fama na época do pós-guerra por se especializar em cravejar tachinhas de ferro nas extremidades do solado dos calçados) e outros que já não mais existentes, como a Camisaria Progresso. A praça também é muito procurada devido ao baixo meretrício no entorno trazido nos anos trinta com aspolacas.

Na praça está localizado o Monumento a D. Pedro I, que muitos pensam tratar-se da estátua de Tiradentes, executada pelo escultor francêsLouis Rochet a mando de D. Pedro II. É a mais antiga estátua do Rio de Janeiro.


A atual Praça Tiradentes teve origem, nos idos do Séc. XVII, no desmembramento do então chamado Campo de São Domingos. Em 1690 chamava-se Rossio Grande, em clara alusão ao Largo do Rossio lisboeta; mais tarde, passou a Campo dos Ciganos, devido à chegada, de Portugal, de um grupo desses nômades, e que ali montaram, por algum tempo, suas barracas. A partir de 1747, com a construção da Capela de NªSª da Lampadosa, passou a ser conhecida como Campo da Lampadosa. Em 1808, passou a ser o Campo do Polé, graças à instalação, no local, de um pelourinho. Em 1821, passou a ser chamada Praça da Constituição; D. Pedro, assumindo o posto de Príncipe Regente, jurou fidelidade à Constituição Portuguesa de uma das varandas do Real Teatro São João que ficava onde, hoje, encontra-se o Teatro João Caetano. Finalmente, em 1890, ao aproximar-se o centenário da morte de Joaquim José da Silva Xavier, passou a ter o nome de Praça Tiradentes, pela proximidade do local onde se acredita ter sido enforcado o protomártir da Independência.

No centro da praça, o monumento a Pedro I, mandado erigir por Pedro II, foi inaugurado em 1862. Apresenta o Imperador a cavalo, fardado de general, segurando com a mão esquerda as rédeas, enquanto com a direita exibe a Constituição de 1824.(Há quem acredite tratar-se das cartas recebidas às margens do Ipiranga.) No pedestal, quatro estátuas de bronze representam os rios Amazonas, Paraná, São Francisco e Madeira. O monumento nasceu de um concurso internacional, em 1855, vencido pelo brasileiro Maximiliano Mafra, e foi construído em Paris por Louis Rochet ( 3º colocado no mesmo concurso) que tinha como aprendiz o jovem Auguste Rodin.

Em 1865 acrescentaram-lhe quatro alegorias representando as virtudes das nações modernas: a Justiça, a Liberdade, a União, e a Fidelidade, depois transferidas para a Praça NªSª da Paz, em Ipanema. O gradil foi instalado em 1865, e dos oito lampiões iniciais, restam 5. O monumento foi recentemente restaurado (2006) e as alegorias retornaram, devolvidas à Praça.

Nas proximidades há, ainda, alguns prédios de valor histórico, tais como: o Solar do Visconde do Rio Seco (Pça. Tiradentes, 67), a Igreja do Santíssimo Sacramento (Av. Passos, 50), a casa de Bidu Sayão (Pça Tiradentes,48) e as casas de números 5 e 11 da Rua Gonçalves Ledo.

Na foto grande, do início do século passado, vê-se trecho da praça. No postal, também do início do Séc. XX, podemos apreciar alguns detalhes; e a foto colorida, mais recente, mostra a ausência de vários lampiões.

Estátua de D. Pedro I





Coletivo Penha X Praça tiradentes.

CAMPO DE SANTANA

Origem

Em seu entorno foram erguidos outros edifícios: o do Comando do Exército (1811), a sede da Prefeitura, a sede do Corpo dos Bombeiros, a Escola Municipal Rivadávia Correia, a Casa da Moeda do Brasil (1863) - atual Arquivo Nacional, a Rádio MEC, a faculdade de Direito da UFRJa Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge e a Câmara Municipal.Em 1753, era chamado Campo de Santana, nome originado da igreja nele construída, local de grande afluência de devotos, que foi demolida em 1854 para dar lugar à primeira estação ferroviária urbana do Brasil, a Gare D. Pedro II. Em 1941 no lugar da antiga estação foi inaugurada a Central do Brasil, edifício no estilo Art déco, encimado por um enorme relógio - o maior do mundo na sua categoria.

Como lugar favorito para comemorações de eventos e realização de formaturas militares, foi palco de momentos históricos. a Aclamação do Imperador D. Pedro I e Proclamação da República, pois a casa do Marechal Deodoro ficava em frente; além de manifestações públicas, como os protestos da Revolta da Vacina.

Campo de Santana, 1818.

A partir de 1822, o campo passou a ser o centro político da cidade, após os eventos decorrentes do Dia do Fico, em 9 de janeiro, quando o príncipe D. Pedro conclamou a população do Rio, ali reunida às pressas, a que o defendessem dos soldados portugueses comandados pelo general Jorge de Ávilez, que queriam embarcá-lo à força para Portugal. Como a tenacidade do povo carioca conseguiu impedir a partida de D. Pedro, o logradouro passou a ser denominado Campo da Honra.

No dia 12 de outubro de 1822, D. Pedro I foi ali aclamado Imperador do Brasil pela população. Para a festa da Aclamação, segundo descrições da época, o jardim de Paulo Fernandes ganhou novos contornos e ornamentos: foram plantadas quatrocentas palmeiras; no centro do passeio, foi construída uma praça circular com 16 estátuas de madeira de deuses e semideuses, em cujo centro se encontrava um tanque com cascata artificial, ornada por conchas, com um repuxo bem alto. Diversos caminhos se originavam na praça, ornamentados com bustos de heróis e heroínas greco-romanas. Durante a festa da Aclamação, o lugar passou a se chamar Campo da Aclamação (de 1822 a 1889).

Campo de Santana - 1851- Jose Reis Carvalho - acervo do Museu Nacional de belas Artes.

Em 1870, D. Pedro II mandou construir no campo um pavilhão de madeira, para celebrar a missa comemorativa da vitória da Guerra do Paraguai. Naquele mesmo ano, o naturalista francês Auguste François Marie Glaziou e o estudioso de assuntos de jardinagem José Francisco Fialho apresentaram à municipalidade um plano para o ajardinamento do campo. Em 3 de julho de 1871, a Câmara municipal aprovou o projeto e Glaziou assumiu sozinho a responsabilidade pelo empreendimento.

Templo da Vitória 1870. Construido para as Comemorações da vitória na Guerra do Paraguai. Hoje não existe mais.

No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca, diante das tropas concentradas no quartel-general, no Campo de Santana, proclamou a República, pondo fim à monarquia. Assim o campo passou oficialmente a denominar-se Praça da República.

Na segunda metade do século XIX, foi construída nas proximidades do campo uma capelinha para São Jorge, por quem os militares que ali serviam tinham uma devoção especial. 

Em 1853, o campo foi beneficiado com serviço de aterro e com o plantio de algumas árvores, trabalho que foi feito por 20 sentenciados militares, presos da Fortaleza de Santa Cruz. A seguir, em 1858, com a construção da Estação da Estrada de Ferro, no local da primitiva Igreja de Santana, o movimento na área aumentou consideravelmente, transformando-se em passagem obrigatória para todos os que utilizavam o transporte ferroviário, apesar de a demolição da igreja ter marcado o fim das festividades religiosas que por muitos anos animaram o campo.

Em 1917, o local foi reconhecido e denominado oficialmente pelo decreto nº 1165 de 31 de outubro como Campo de Santana.

Em 1934, pelo decreto nº 4786 de 21 de maio, o parque foi desmembrado das ruas de contorno, passando a denominar-se Parque Júlio de Noronha. As ruas que o contornam ficaram com o nome de Praça da República.

Em 1939, pelo decreto nº 9876 de 25 de agosto, o Parque Júlio Furtado voltou a se chamar Praça da República, reincorporando as ruas do entorno.

O parque tinha uma superfície de 142.421m2, mas foi mutilado com a abertura da Avenida Presidente Vargas. Para tal redução e adaptação, foi chamado o arquiteto José da Silva Azevedo Neto, já no governo do prefeito Henrique Dodsworth. Com isso, em 1941, a área do campo ficou reduzida a meros 18.216m2.

Em 1938, os gradis foram retirados e transferidos para outros parques. Inicialmente, foram depositadas embaixo do galpão do Campo de São Cristovão e, depois, para debaixo da ponte da linha férrea em São Cristovão. Posteriormente, foram movidos para o depósito do viveiro do Caju. Por fim, tiveram suas partes doadas a entidades oficiais, a obras do Departamento de Parques e a particulares, como cortesia.

Em 1956, foram efetuadas obras de asfaltamento dos caminhos do parque. Os canteiros foram reformados e delimitados por um meio-fio de concreto. Redes de irrigação foram instaladas pela empresa L Quatroni SA, sendo inauguradas em 25 de março de 1958 pelo prefeito Negrão de Lima.

Em 1964, em virtude do golpe militar do dia 31 de março, o campo foi tomado por militares, que nele permaneceram entrincheirados durante nove dias, para emboscar os jovens estudantes da Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, localizada no prédio do antigo Senado), que ali permaneceram em resistência ao golpe. Naqueles dias, o parque foi cenário de tristes e sangrentos momentos da história nacional.

Finalmente, em 1965, pela Lei nº 575 de 13 de agosto, o parque voltou oficialmente a se chamar Campo de Santana, ficando as ruas do contorno com o nome de Praça da Republica.

Em 1967, o parque voltou a ter gradis, com projeto dos arquitetos Renato Primavera e Walter Curvelo de Mendonça, executado pela firma Ytanema Comércio e Engenharia SA.

Em 1968, pelo reconhecimento de seu valor histórico e artístico, o Campo de Santana foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – Inepac, órgão de preservação estadual, e desde 1983 integra uma das áreas do centro da cidade definidas pelo decreto municipal nº 4.141 como Zona Especial do Corredor Cultural.


Estrutura atual

Atualmente, a praça encontra em suas extremidades as ruas que dão fim ao Saara, a rua Frei Caneca, a rua Moncorvo Filho (próximo aocampus da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro), além da avenida Presidente Vargas.Em 1942, com a construção da avenida Presidente Vargas, que derrubou algumas das construções do entorno, a praça foi dividida em duas. Do lado do Palácio Duque de Caxias, reconstrução do Comando do Exército datada de 1937 e sede do Comando Militar do Leste do Exército brasileiro, foi construído o Panteão Duque de Caxias. Em todos os desfiles das comemorações da Independência do Brasil, ali é montado o palanque das autoridades. No lado oposto, ficam os jardins do Campo de Santana, grande passeio público arborizado e urbanizado no início do século XIX. A sua reforma iniciou-se em 1873 e foi completada em 1880, seguindo projeto do paisagista francês Auguste François Marie Glaziou. Na área, é possível encontrar diversas espécies de animais.

PESSEIO PÚBLICO

O Passeio Público do Rio de Janeiro localiza-se no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), no Brasil.
Foi o primeiro parque público das Américas, construído no século XVIII.

O Terraço do Passeio Público em 1854, à beira-mar.

HISTÓRIA

O projeto de Mestre Valentim

Inspirado no Passeio Público de Lisboa, inaugurado na década de 1760, e na construção dos jardins do Palácio Real de Queluz, cuja primeira etapa estaria concluída em 1786, o Vice-Rei do Estado do Brasil, D. Luís de Vasconcelos e Sousa, entre 1779 e 1783, incumbiu o escultor earquiteto Valentim da Fonseca e Silva (Mestre Valentim) de contruir um parque para a cidade, então capital do Brasil colônia.

O lugar escolhido para o novo parque foi uma das extremidades da cidade, junto ao mar, na Lagoa do Boqueirão da Ajuda (atual Largo da Lapa). Segundo fontes da época, por volta de 1760 a lagoa já estava bastante suja, constituindo-se em foco de doenças que se espalhavam pela cidade. Visando o saneamento da área, promoveu-se o aterramento da lagoa, utilizando-se para esse fim, o material oriundo do desmonte do antigo morro das Mangueiras.

Mestre Valentim projetou um parque em estilo francês, com alamedas retas, que se cruzavam ortogonalmente, e outras formando diagonais, ostentando elementos decorativos também criados pelo artista, como chafarizes, estátuas e pavilhões. O belo portão de acesso, em ferro forjado em estilo rococó, ainda está em seu lugar, destacando-se o brasão com as armas reais e as efígies de D. Maria I, rainha de Portugal à época, e seu marido, D. Pedro III. Daí, uma alameda central conduzia o visitante à Fonte dos Amores e ao terraço de onde se descortinava o mar que, à época, chegava à altura do Passeio Público. Este belvedere era um local disputado para se apreciar as belezas naturais da baía de Guanabara, constituindo-se em ponto de encontro da população carioca desde o final do século XVIII até ao início do século XX.

Da decoração original de Mestre Valentim sobrou o conjunto do Chafariz do Menino, em ferro (1783), integrado por dois obeliscos de granito com medalhões em pedra de lioz, escadas e amuradas; e a Fonte dos Amores com estátuas de jacarés em bronze. As estátuas da Ninfa Eco (1783) e do Caçador Narciso (1785), do destruído Chafariz das Marrecas (1789), encontram-se agora em espaço próprio no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O parque tinha originalmente dois pavilhões com várias pinturas de paisagens do Rio de Janeiro, de autoria de Leandro Joaquim. Seis delas sobreviveram e encontram-se atualmente no Museu Nacional de Belas Artes e no Museu Histórico Nacional.



A reforma de Glaziou 

O desenho original do parque foi alterado em uma reforma promovida, em 1864, a pedido do Imperador D. Pedro II, pelo paisagista francêsAuguste François Marie Glaziou. Embora tendo conservado elementos arquitetônicos e artísticos originais, a repartição dos jardins foi alterada, adotando-se aléias curvas e sinuosas, lagos e pontes, tão a gosto do paisagismo romântico. O resultado foi um jardim ao estilo inglês, imitando um bosque natural. Nele se destacam a construção de um grande lago sinuoso, estreito, e de outro, menor, redondo, com um chafariz central. Atualmente, apenas o primeiro pode ser contemplado. Do segundo, aterrado, apenas podemos ter uma noção de suas dimensões através de marcas, no solo, próximo ao Portão Principal do parque.

Palácio das festas. mas um dos muitos prédios demolidos no RJ. 1922. 

Do século XX à reforma de 2004 

Entre as inúmeras obras realizadas pelo prefeito Pereira Passos (1902-1906) na cidade do Rio de Janeiro, encontra-se a construção de um aquário público no Passeio Público. Inaugurado em 1904, o aquário possuía vinte tanques de vidro, destinados à exposição de exemplares de diversas espécies de peixes de água salgada. Conforme o seu idealizador e responsável, o naturalista Alípio Ribeiro, o objetivo era o de dar aos visitantes uma noção da vida marinha nas águas da baía da Guanabara. Posteriormente, durante a gestão do prefeito Henrique Dodsworth (1937-1945), tendo sido promovidos alguns ajustes no Passeio Público, considerados necessários à retomada das características originais do parque, esta instalação foi demolida.

Outra alteração foi a posição do parque em relação à Baía de Guanabara: se antes o Passeio Público se localizava junto ao mar, os sucessivos aterros, deixaram-no no centro da cidade.

O parque foi tombado em 1938 pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com destaque para o conjunto do Portão Principal, o doChafariz dos Jacarés (a Fonte dos Amores) e o par de obeliscos.

No ano de 2004 teve lugar uma ampla reforma, coordenada por uma equipe multidisciplinar de técnicos da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro (Fundação Parques e Jardins), do IPHAN (6a. Superintendência Regional), visando devolver ao parque o traçado de Auguste Glaziou, ao custo de R$ 1.800.000,00 (um milhão e oitocentos mil reais). Além da intervenção paisagística, os trabalhos incluíram intervenções estruturais como a implantação de um sistema de drenagem a uma nova iluminação, a recuperação e restauração de monumentos e o desenvolvimento de pesquisa histórico-arqueológica que permitiu a identificação e localização de estruturas que fizeram parte da história do parque e da cidade do Rio de Janeiro.

A prospecção arqueológica identificou, dessa forma, entre outros, as bases do aquário de Pereira Passos, e o piso e as fundações dos antigosTheatro Casino e Casino Beira-Mar que, apesar dos nomes, jamais foram lugar de jogos. Após o achado, a história dessas casas de espetáculos, famosas na década de 1920 por suas atrações internacionais, e que ofereciam aos seus freqüentadores salões de festas, salão de chá e dancing, e que funcionaram por oito anos até serem implodidas na década de 1930, foi resgatada. O seu sítio foi novamente recoberto para fins de conservação.

Podem ainda ser observados novamente os degraus de granito do Chafariz dos Jacarés, também conhecido como Fonte dos Amores, de Mestre Valentim.

Com a revitalização, o Passeio Público recuperou, além de seu valor artístico e cultural, preciosas informações que pertencem à história da cidade do Rio de Janeiro.




Passeio público 1900.

AV. RIO BRANCO

A avenida Rio Branco, antiga avenida Central, é o logradouro que cruza o centro da cidade do Rio de Janeiro, sendo a principal marca da reforma urbana realizada pelo prefeito Pereira Passos no início do século XX.

É uma das principais vias públicas da cidade, sendo palco de muitos acontecimentos importantes.

Vista da Avenida Rio Branco em 1909. À esquerda, vê-se a Praça Floriano Peixoto e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro; à direita, a Escola Nacional de Belas Artes. Foto de Marc Ferrez.

HISTÓRIA

O Rio de Janeiro dos primeiros anos da República ainda conservava grande parte da sua malha urbana colonial, que a esta altura parecia ultrapassada e anacrônica tanto em termos arquitetônicos quanto urbanísticos. Além disso, o velho centro colonial da cidade era superpovoado e propenso a doenças, como a febre amarela e a varíola. Nesse contexto se encaixa a abertura da avenida Central, parte de um grande programa de modernização do Rio de Janeiro seguindo cânones europeus urbanísticos e sanitários.

O responsável pelas reformas foi o engenheiro Francisco Pereira Passos, designado governador do Rio de Janeiro (Distrito Federal) pelo presidente Rodrigues Alves em 1902. As obras iniciaram-se em março de 1904 com a demolição de 641 casas, desalojando quase 3.900 pessoas. Após seis meses de trabalho estava aberta de ponta a ponta.

Ao mesmo tempo, abriu-se a avenida do Mangue, arrasou-se o Morro do Senado, alargaram-se ruas do Centro, urbanizou-se parte da orla da Baía de Guanabara e iniciou-se a urbanização de Copacabana, entre outras reformas. Ao final do governo de Pereira Passos, em 1906, a cidade já tinha cara nova.

Avenida Rio Branco na década de 1930.

ARQUITETURA E URBANISMO

A avenida Central ligava o novo porto da cidade (onde está a atual Praça Mauá) à região da Glória, que nessa época se expandia urbanisticamente. O responsável pelo projeto foi o engenheiro Paulo de Frontin, chefe da Comissão Construtora da avenida Central. A nova avenida tinha 1.800 metros de extensão por 33 metros de largura, e trezentas casas coloniais foram arrasadas no processo para levantar edifícios modernos. As fachadas para os edifícios da avenida Central foram escolhidos em concurso, do qual foram jurados, entre outros, o prefeito Pereira Passos, Paulo de Frontin, o ministro da Viação e Obras Públicas, Lauro Müller, e o diretor-geral de Saúde Pública, Oswaldo Cruz.

Os edifícios finalmente construídos são obra de vários arquitetos, em geral de origem européia, com alguns brasileiros como Heitor de Melo, Gabriel Junqueira, Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá e Ramos de Azevedo. O primeiro a ser erguido, hoje demolido, foi o da Tabacaria Londres. Em termos estilísticos, a construção da avenida Central representa o auge do estilo eclético monumental no Rio. Além de edifícios do governo, ergueram-se vários hotéis, sedes de empresas, jornais, clubes etc. O estilo predominante foi o ecletismo afrancesado, mas vários outros modelos foram seguidos, como o ecletismo italianizante, neo-gótico, neo-clássico, entre outros. A avenida contava com um canteiro central ajardinado e iluminação elétrica. As calçadas, em mosaico português, foram feitas por artesãos vindos de Portugal.

A avenida Central terminava na Praça Floriano Peixoto (hoje conhecida como Cinelândia), ao redor da qual se erigiram vários edifícios públicos de grande valor arquitetônico que ainda existem: o Teatro Municipal, a Escola Nacional de Belas Artes (hoje Museu Nacional de Belas Artes) e a Biblioteca Nacional. No extremo da avenida foi erguido o Palácio Monroe, sede do Senado, infelizmente destruído em 1976.

A avenida foi inaugurada em 7 de setembro de 1904 pelo presidente da República, Rodrigues Alves, e entregue ao tráfego em 15 de novembro de 1905. Recebeu bela arborização, iniciada em 22 de outubro de 1905 com o plantio da primeira árvore de pau-brasil. Quando a aumentaram, porém, as árvores foram retiradas, assim como a calçada que a dividia ao meio.

Desfile na Av. Rio Branco. Veja que ao fundo ainda existia o Palácio Monroe. 1939.

Mudanças e descaracterização

Em 21 de fevereiro de 1912, o nome da avenida foi mudado para avenida Rio Branco, em homenagem ao Barão do Rio Branco, diplomata brasileiro responsável por tratados que garantiram as fronteiras brasileiras que tinha morrido em 11 de fevereiro.



A partir dos anos 1940, com o avanço da arquitetura do concreto armado, a avenida começou a descaracterizar-se arquitetonicamente, a tal ponto que, hoje em dia, apenas um punhado dos edifícios originais estão preservados.

A avenida Rio Branco é ainda uma das artérias mais importantes da cidade, na qual se encontram alguns dos principais escritórios e bancos do Rio de Janeiro.




A Avenida Rio Branco, em 1906.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PRAÇA PIO XI / FUSCOLÂNDIA




Praça Pio XI - 1950








Praça Pio Anos XI - 60









E essa não era a única fuscolândia do Centro.





Mas o besouro fez sucesso hein. 



Em 1973 ocorreu o auge da popularidade e produção, com 1,25 milhão unidades produzidas no ano. A partir de então, a produção começou a cair, até que a produção do carro foi encerrada no México em 2003, registrando o recorde de 21.529.464 "Fuscas" produzidos no total entre 1938 e 2003.



Seria o primeiro carro do mundo a ultrapassar 20.000.000 de unidades.



E em 1972 passaria a ser o carro mais vendido da história quando ultrapassou o tambem revolucionário Ford T, se mantendo em primeiro lugar até 1996 (ano que o Fusca parou de ser fabricado no Brasil), quando Toyota Corolla (carro mais vendido do Japão por 36 vezes, nos últimos 40 anos, o ultrapassou) totalizando até hoje 31.600.000.



Mas é lógico que isso não tira o mérito do Fusca que proporcionalmente para época vendeu muito mais do que o Corolla vende hoje em dia. Numa época que a população e o mercado consumidor eram muito menores.



e é até hoje o carro com o mesmo design mais vendido na história, pois o carro praticamente não mudou o seu design, ao contrário do Golf que já está na quinta geração e o Toyota.





Praça Pio XI - 1965





AV. PRESIDENTE VARGAS



A grande avenida, inaugurada em 7 de setembro de 1944, existe graças à demolição de mais de 500 construções nas quadras compreendidas entre a Rua Gen. Câmara (antiga Rua do Sabão) e a Rua de São Pedro; estas duas ruas passaram a constituir as pistas laterais (lados impar e par, respectivamente) enquanto a pista central ocupa o lugar que era das quadras demolidas. 

Dentre os demolidos estavam 4 igrejas (São Pedro dos Clérigos, São Domingos, Bom Jesus do Calvário e NªSª da Conceição); o Largo do Capim; o prédio da Prefeitura; uma fatia da Praça da República; e quase toda a Praça Onze de Junho, centro do samba e local dos desfiles carnavalescos até então.

A Avenida foi construída em pleno estado Novo, numa época conturbada, quando a Segunda Guerra Mundial começava a tomar forma.

Logo após o rompimento de relações diplomáticas com o Eixo, em plena construção da Avenida Presidente Vargas, como previra Getúlio, começaram os ataques e afundamento de vários navios brasileiros por submarinos alemães, causando centenas de vítimas civis brasileiras. No total, 21 submarinos alemães e 2 italianos afundaram trinta e seis navios mercantes brasileiros, causando 1.691 náufragos e 1.074 mortes.

O Brasil seria o único país da América Latina a participar da Segunda Guerra Mundial, e as cidades mais envolvidas do Brasil, sem dúvida alguma foram: Natal e Rio de Janeiro.

Av. Presidente Vargas

Av. Presidente Vargas - Anos 20 (Região do Centro, onde seria aberta a Av. Presidente Vargas, cruzando a Av. Rio Branco)





Av. Presidente Vargas - 1940 (Na sequência uma foto tirada em 1944, do mesmo ângulo)



Av. Presidente Vargas - 1944



(Parece até mais uma cidade européia que tinha sido arrasada na mesma época, após a segunda guerra, e tudo isso para se construir uma avenida, que curiosamente, foi inspirada, nas boulevards facistas do eixo)



Av. Presidente Vargas - Anos 40























(A Volta)






















Av. Presidente Vargas com a Av. Rio Branco - 1950



Av. Presidente Vargas - Início dos Anos 50










Av. Presidente Vargas - 1952 





(1953 - RMRJ já chegava a 5.000.000 de habitantes)



Av. Presidente Vargas - 1953 



Av. Presidente Vargas - 1955





Av. Presidente Vargas com a Av. Passos - Anos 50



Av. Presidente Vargas - 1957



Av. Presidente Vargas - 1958








Av. Presidente Vargas - 1959



Av. Presidente Vargas - 1960





Av. Presidente Vargas - 1961



Av. Presidente Vargas - 1964





Av. Presidente Vargas - 1965









Av. Presidente Vargas - Anos 60



Av. Presidente Vargas - 1968



Av. Presidente Vargas - Final dos Anos 60













Av. Presidente Vargas - 1969










Av. Presidente Vargas - 1970










Av. Presidente Vargas - 1971


(1971 - RMRJ já alcançava 8.000.000 de habitantes)


Av. Presidente Vargas - Início dos Anos 70 (Começo das Obras do Metrô)





Av. Presidente Vargas - 1977


(1981 - RMRJ atingia a marca de 10.000.000 de habitantes)


Av. Presidente Vargas - 1981 (6:30) começando mais um dia.