quarta-feira, 30 de março de 2011

ILHA DE PAQUETÁ

Paquetá, a “Ilha dos Amores”, foi descoberta por André Thevet, cartógrafo de Villegagnon, no dia 18/12/1556, na invasão francesa no Rio de Janeiro. Paquetá, nome dado pelos Tamoios, vem de Pac (paca) + eta (muitas), significando “lugar de muitas pacas”. Nas águas da Ilha, os portugueses e os Temininós, grupo de Araribóia, sob o comando de Belchior de Azeredo, derrotaram, em 1566, os Tamoios na longa da Batalha de Canoas. Fernão Valdez, nesse mesmo ano, a escolheu como sesmaria, que dividiu com Inácio de Bulhões. 
Em 1697, Paquetá já dispunha da Capela de São Roque, do Padre Manuel Espinha e, em 1758, da Capela de Bom Jesus do Monte, erguida por Manuel Cardoso Ramos que mais tarde se constituíram em freguesias e rivais. A Freguesia de Paquetá foi criada por provisão de 1769, fazendo parte das Vilas de Magé e São Gonçalo. Por decreto, de 1833, a freguesia foi desmembrada, fazendo parte do Município da Corte (Rio). Dom João VI sempre visitava a Ilha e se hospeda na casa do Oficial de Milícias Francisco Gonçalves da Fonseca, depois transformada no museu Solar D”El-Rey. Em Paquetá moraram, entre outros, José Bonifácio, colocado em prisão domiciliar, o Marquês de Tamandaré, o Comendador Lage e a Marquesa de Jacarepaguá e o pintor, escultor e paisagista Pedro Bruno. 




São da autoria deste último: o planejamento artístico e paisagístico do Cemitério de Paquetá, que transformou em verdadeiro jardim e onde plantou uma série de espécimes de plantas nativas e esculpiu diversas obras de arte, elaborou o projeto e executou o Parque dos Tamoios, com seus jardins e caramanchões, a Capela do Cemitério e muitas outras obras. A Ilha também serviu de inspiração ao romancista Joaquim Manuel de Macedo, que escreveu a “Moreninha”, tendo como cenário a “Pedra da Moreninha”. Durante a Revolta da Armada, em 1893, a Ilha foi ocupada durante 6 meses pelos marinheiros sublevados. 


De 1908 a 1912 foi instalada a rede de esgoto pela companhia inglesa City Improviments, hoje, uma companhia, a CEDAE. Atualmente, o esgoto é lançado por emissário submarino. Em 1877, foi criada linha regular de barcas, ligando Paquetá à Praça XV, pelo Comendador Antonio Lage e, em 1889, sua concessão passou para a Companhia Cantareira e Viação Fluminense, mais tarde STBG, CONERJ, atualmente, privatizada (Barcas S.A.).


Paquetá é residencial, sendo proibido o tráfego de veículos particulares motorizados. A circulação interna é feita a pé, em bicicletas, charretes e trenzinho turístico. Durante o governo do Prefeito Marcos Tamoio (1975/79), foram feitos o aterro da Praia da Moreninha e os Parques da Moreninha e Darke de Matos.


Nota: A denominação; delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.






Nicolau Facchinetti, pintor italiano, retratou com maestria a Ilha de Paquetá entre 1870 e 1890 deixando um legado de alto significado histórico. Suas telas, em óleo sobre madeira ou sobre cartão, nos trazem imagens raras da antiga orla marítima da Ilha daquela época, invariavelmente com efeitos de fim de tarde. Suas obras, em importância histórica, são comparáveis em genialidade e precisão de detalhes às de Rugendas, Debret, Taunay e Ranzini.