terça-feira, 15 de março de 2011

JARDIM BOTÂNICO

Uma das mais belas e bem preservadas áreas verdes da cidade, o Jardim Botânico é um exemplo da diversidade da flora brasileira e estrangeira. Nele podem ser observadas cerca de 6.500 espécies (algumas ameaçadas de extinção), distribuídas por uma área de 54 hectares, ao ar livre e em estufas.


O Jardim abriga ainda monumentos de valor histórico, artístico e arqueológico, além de um importante centro de pesquisa, que inclui a mais completa biblioteca do país especializada em botânica, com mais de 32 mil volumes.

Vista do Jardim Botânico. Parte do “Álbum do Rio de Janeiro Moderno.

Da criação ao período Imperial

Recém-chegado, por decreto de 13 de junho de 1808, o Príncipe-Regente D. João, filho da então Rainha D. Maria I, criou no antigo "Engenho da Lagoa", pertencente a Rodrigo de Freitas, o Jardim de Aclimação, com a finalidade de aclimatar as plantas de especiarias oriundas das Índias Orientais: noz-moscada, canela e pimenta-do-reino.Sua origem remonta à transferência da família real e nobreza portuguesa para a então colônia do Brasil, entre 1808 e 1820. Fixando-se no Rio de Janeiro, então alçada à condição de sede do Império Português, a mudança trouxe diversas oportunidades e melhorias para a cidade, dentre elas a implantação de uma fábrica de pólvora na sede do antigo engenho de Rodrigo de Freitas, cujas ruínas dos muros atualmente integram os limites do Jardim Botânico.


No mesmo ano, a 11 de outubro, recebeu o nome de Real Horto. Sua direção foi entregue ao marquês de Sabará, diretor da fábrica de pólvora criada ao lado, que também entendia de botânica, sendo depois substituído pelo tenente-general Carlos Napion. Em 1810, segundo o "Dicionário de Curiosidades do Rio de Janeiro", o prussiano Kaucke o transformou em uma estação experimental. Tinha à sua disposição escravos, instrumentos, morada e ganhava mais de 800 mil réis por ano. Nos viveiros já havia mudas de cânfora, nogueira, jaqueira, cravo-da-índia e outras plantas do Oriente.

Com a proclamação da independência do Brasil em relação ao reino de Portugal, e, por conseguinte, fundação do Império do Brasil, o Real Hortofoi aberto à visitação pública em 1822 como Real Jardim Botânico. Posteriormente, passou a chamar-se Imperial Jardim Botânico e assim foi seu nome no Brasil Imperial(1822-1889). Adquiriu a partir de então foros de botânico, pois seu diretor era um erudito frade carmelita, frei Leandro do Sacramento, professor de botânica conhecido pelos seus estudos da flora brasileira. Frei Leandro introduziu melhoramentos e organizou um catálogo das plantas ali cultivadas. Foi o orientador das aléias de mangueiras, jaqueiras, nogueiras e outras, assim como das cercas de murtas, crótons, hibisco.

Em sua homenagem, uma das dependências do jardim tem o seu busto e o belo lago leva o seu nome.

Jardim Botânico, 1865.

Da proclamação da república aos nossos dias

O jardim encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1937.Com a proclamação da república do Brasil em 15 de novembro de 1889, e, por conseguinte, fim do Império brasileiro, passou a ser denominado como Jardim Botânico, desde 1890. Até então era denominado como Imperial Jardim Botânico. Desde então, teve vários visitantes ilustres como Albert Einstein, a rainha Elizabeth II do Reino Unido e outros, transformando-se em cartão-postal da cidade do Rio. Entre os nomes de pesquisadores que lhe estão ligados está o de Manuel Pio Correia.

Em 1991, a UNESCO considerou-o como Reserva da Biosfera. Nesse momento, quando o Jardim passava por dificuldades de manutenção e conservação, um grupo de empresas públicas e privadas se formou para auxiliá-lo. Como resultado das parcerias, em 1992 o orquidário e a estufa de violetas foram renovados, além de procedida uma limpeza no lago. Em 1995, foi construído o Jardim Sensorial, com plantas aromáticas e placas indicadoras em Braille, permitindo a visitação por deficientes visuais. Posteriormente, uma nova estufa para as bromélias foi construída. No início do século XXI, o muro do jardim na rua Pacheco Leão foi demolido, dando lugar a uma grade, melhorando a sua integração paisagística no bairro.

Como reconhecimento pela sua importância científica, foi rebatizado como Instituto de Pesquisas Jardim Botânico em 1998, ficando afeto ao Ministério do Meio Ambiente. Finalmente, em 2002, tornou-se uma autarquia.