terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PRAÇA XV

A Praça Quinze de Novembro, ou simplesmente Praça XV é um logradouro público, situado no centro da cidade do Rio de Janeiro, próxima ao centro histórico da Praça Marechal Âncora, entre a Rua da Assembléia e o Beco dos Barbeiros.

Está localizada na região conhecida nos primórdios da ocupação das terras da cidade como Praia da Piaçaba. Foi denominada originalmente de Largo do Terreiro da Polé, Praça do Carmo, Terreiro do Paço, Largo do Paço. Em 18 de março de 1870 a Câmara da cidade deu-lhe a denominação de Praça de Dom Pedro II, com a República de imediato trocaram-lhe o nome para a denominação atual.

Paço Imperial em 1830.

Nos fins do século XIX eram oficialmente descritos os seus contornos e limites "pela Rua D. Manoel e Fresca, Praça das Marinhas, ruas do Mercado, Primeiro de Março, Sete de Setembro e Misericórdia".

Nela foi erguido o prédio do Palácio dos Governadores e da Casa da Moeda, futuras instalações do Paço Real e depois Imperial. As obras foram iniciadas por ordens do Conde de Bobadela, e terminadas em 1745, no governo de Gomes Freire de Andrade. Foi o primeiro imóvel da cidade a ter vidros nas janelas.

No governo do vice-rei D. Luiz de Vasconcelos foi construído o Chafariz do Mestre Valentim, que inaugurado em 1789 é até hoje um dos símbolos do local. Muitos pensam que o Chafariz está com defeito, quando na realidade estudos demonstraram que a água que expelia estava erodindo as esculturas e pedras, razão pelo qual foi desligado.

Até o início do regime republicano, ali estavam também a Capela Imperial (atual igreja de Nossa Senhora do Carmo da antiga Sé), aigreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, o convento do Carmo (prédio da Antiga Academia de Comércio, atual Universidade Cândido Mendes), razão que a região foi local de acontecimentos e solenidades significativos para a história do Brasil imperial, como casamentos, batizados, aclamações,coroações e entêrros.

Quando da morte da rainha Dona Maria I, em 1816, no antigo prédio do Convento do Carmo, o então Largo do Paço foi o palco onde se desenrolou o funeral real. Com os cariocas todos vestidos de pesado negro, o corpo saiu solenemente do Paço, para ser depositado no Convento da Ajuda. Dias depois aconteceram na praça e em outros locais determinados da cidade, as cerimônias protocolares da morte de um reinante, a única vez que foram executadas em todo o continente americano.

Quando foi feita em 1878, por ordem da Câmara Municipal, a nova numeração dos prédios da cidade, o serviço começou justamente no local, recebendo o Paço Imperial o número 7. Nela estava também em (1878), os prédio da Secretaria de Agricultura, da Agência Nacional de Colonização, a Praça do Mercado e a Estação Ferry, das barcas que navegam para Niterói.


Em 1888, foi defronte do Paço Imperial que ocorreram as maiores comemorações pela assinatura da Lei Áurea. No entanto logo depois, em 1889 com a Proclamação da República, foi o local de onde partiu a família Imperial para o exílio. O prédio foi transformado então, em repartição dos Correios e Telégrafos, sofrendo uma série de reformas que o descaracterizaram. Hoje inteiramente restaurado, é um centro cultural com livrarias e restaurantes e espaços para exposições.

Em 12 de novembro de 1894 foi solemente inaugurado o panteão do General Osório. Encimado por sua estátua equestre, fundida com os bronzes dos canhões apreendidos no Paraguai, uma homenagem da pátria brasileira a um dos hérois da Guerra do Paraguai. No entanto, nos fins do século XX, seus restos mortais foram removidos para Porto Alegre, capital de seu estado natal.

A Praça XV, até o ínicio do século XX, era o ponto principal de desembarque e entrada na cidade.

Em 10 de junho de 1965 foi inaugurada a estátua equestre do Rei Dom João VI, presente do povo de Portugal à cidade, por ocasião dos festejos do IV Centenário de sua fundação. Foi colocada no local onde teria desembarcado, em 1808. Esta estátua é da autoria de Salvador Barata Feyo, um reputado escultor português, natural de Moçâmedes (Angola) com larga obra espalhada por Portugal. Uma cópia de semelhante estátua encontra-se na rotunda do Castelo do Queijo (Praça de Gonçalves Zarco)), na cidade do Porto.

De acordo com instruções do escultor desta obra, ambas as estátuas deveriam estar voltadas uma para outra, como simbolismo e ligação entre a mesma pessoa (D. João VI) e os dois países (Portugal e Brasil). Essa mesma ligação profunda e desmentível ainda foi mais marcada ainda pela presença de um globo terrestre com a cruz de cristo por cima, que a figura de D. João leva na sua mão direita. A fazer crer em João Barata Feyo, "...o globo terrestre com a Cruz de Cristo, é um símbolo da História de Portugal que é a descoberta, a conquista, a navegação, ele leva a sua tradição de Rei Português, digamos que Portugal se caracteriza pela aventura que realizou, pela descoberta dos caminhos para a Índia, Brasil. […] Foi uma forma de congregar na figura de D. João VI toda a história de Portugal.".

Richard Bates, Largo do Paço, 1808. Em destaque a Igreja da Ordem Primeira de Nossa Senhora do Carmo e contígua a ela, a Igreja da Ordem Terceira.

Marc Ferrez, Igreja da Ordem Terceira do Carmo, 1870.

No local do antigo Mercado Municipal, ergue-se hoje o moderno prédio da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Na década de 1950 foi construída a Avenida Perimetral que ligando a avenida Presidente Vargas ao Aterro do Flamengo, atravessou o local, comprometendo seriamente a estética da Praça da XV.

Praça XV de Novembro na virada do século em mais um belo postal colorizado.

Praça XV de Novembro, Rio de Janeiro, c. 1890. Foto de Marc Ferrez.

O cais Pharoux (atual Praça XV, Rio de Janeiro, RJ) era porto para viagens nacionais e internacionais.



Eis o registro de um momento histórico. O momento do anúncio, em maio de 1888, no Paço Imperial, do fim da escravidão no Brasil.